Quero descobrir-te. Encontrar-te num banco de jardim desprovido de pessoas que não nós, num concerto da tua banda favorita, numa livraria repleta de palavras soltas, numa rua cheia de pessoas mas vazia de almas. Quero encontrar-te num café, espero que estejas a ler o livro que sempre quis ler, aquele que diz tanto sobre ti, que traduz por palavras o que o teu coração sente e os pensamentos que a tua mente elabora, mas que tu és incapaz de revelar. Também gostaria de te encontrar num parque da cidade, a observar os prédios altos que o rodeiam, a desenhar algo que revele a beleza deles. Espero que sejas capaz de captar essa mesma beleza, observa os detalhes cuidadosamente e elabora algo de que te orgulhes. E eu irei sentar-me ao teu lado, a contemplar a arte que criaste. Irei louvá-la. Não irei dizer nada. Mantém-te quieto e calado, também. Aproveitemos o silêncio que é nosso, aquele silêncio constrangedor, que envolve as nossas expectativas, os nossos sonhos, os nossos medos, o que sentimos. Deixemos que ele fale por nós, que diga o que temos medo de dizer. Deixemos cair os muros. Falaremos, então, durante horas. Sobre música, sobre livros, sobre as nossas visões do Mundo, sobre as nossas opiniões, sobre arte. Sigamos caminhos diferentes. Reencontre-mo-nos. Repitamos tudo. E nascerá algo nosso, não necessariamente amor, mas algo que nos permita ser felizes um com o outro. Talvez amizade. Ou algo como uma relação estranha, que não é rotulada, apenas é o que é. Deixemos cair totalmente, então, os muros que nos protegem. Baixemos as guardas. Depositemos a nossa segurança no outro. Adoremo-nos.
Onde estás?
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