sábado, 10 de agosto de 2013

(De)construct.

Construímos sonhos. Criamos expectativas elevadas acima da realidade. Vivemos em pequenos mundos individuais, na realidade que conhecemos. Pequenos mundos construídos por nós. Eventualmente, acabamos por baixar um pouco a guarda. Revelamos pequenas partes dos nossos pequenos mundos: a sua banda sonora, as cores com que o pintamos, pequenas coisas com grande relevância para nós. E um dia, baixamos totalmente a guarda. Revelamos os mistérios, os segredos, as inseguranças, as desilusões. Tudo aquilo que tão conscientemente guardamos connosco, porque o medo se sobrepõe à possibilidade de sermos felizes. O medo de não sermos bons o suficiente. O medo de desiludirmos alguém. O medo de não correspondermos às expectativas que o outro tem de nós. O medo de errar, o medo das consequências dos nossos erros. O medo de fazermos alguém sentir a dor que um dia vivemos. O medo de carregar a culpa de algo que não queríamos que acontecesse. O medo de falhar. O medo de que o nosso melhor não chegue. O medo de sermos felizes, porque a felicidade não dura. Escolhemos então não arriscar, não darmos a nós próprios a possibilidade de sermos felizes, sabendo que a felicidade total é irreal, tal coisa não existe. Desperdiçamos, então, a oportunidade de sermos felizes, para não sentirmos mais dor. E não será que é aí que reside toda a dor, no desperdício dessa oportunidade? Mas será preferível conhecermos a felicidade, mesmo sabendo que iremos sofrer eventualmente, ou escolher não sermos felizes para não voltarmos a sofrer? 
Não será que a vida é mesmo isso? Sermos temporariamente felizes e experienciarmos esporadicamente episódios de infelicidade? Ou será que deveremos conformarmo-nos, não viver muito tristes, nem demasiado felizes. Será que a vida é isso? 

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