Abraço a solidão. O silêncio não me perturba, nem tão pouco me incomoda, apenas me deixa confortável, a sós com os meus pensamentos. O silêncio acalma-me, tranquiliza-me. Chega suavemente e não vai embora rapidamente, permanece aqui. E aqui me encontro, nesta solidão silenciosa, onde estou apenas eu comigo própria, e que ninguém consegue penetrar. Não como se alguém tentasse, porque tal não acontece, mas eu não permito também, isto porque aqui ninguém consegue magoar-me de qualquer jeito que seja.
Mas se vens por bem, podes chegar-te mais perto. Aproxima-te dos muros que me rodeiam, toca-os suavemente, sente as cicatrizes que os atravessam. Não, não te aproximes tanto. Eles irão empurrar-te, expulsar-te de perto de mim, sem que eu tenha consciência de tal. Apenas permanece onde estás. Não precisas de dizer nada, produzir qualquer discurso direccionado a mim, eu sei o que pensas, sei o que estás a pensar, não precisas dizer nada, não quero ouvir mentiras. Irei conhecer-te de outra forma, porque espreitei e vi que de muros não estavas rodeado, e percebo assim que tu és quem transpareces ser. Abri um pequeno portão para ti, entra, mas cuidadosamente. Explora primeiro os recantos obscuros, vê do que são feitos. Não tenhas medo, eu continuo aqui para te proteger, permaneço aqui. Agora, a escolha é inteiramente tua: dois caminhos se apresentam e tu escolhes. Podes voltar a sair e fugir, ninguém te irá impedir, ou poderás ficar e explorar o resto que escondo, a parte iluminada de mim, as coisas boas portanto. Mas se os recantos obscuros te assustaram, talvez devesses ir. Mas repito, a escolha é tua. Quero que fiques, mas não te posso pressionar a tal. Entende apenas o que quero dizer.
(...)
Mas não foste. Escolheste ficar. Como poderei agradecer-te? Entra, exploremos juntos. Conheceremos os aspectos positivos. Caminhemos de mãos dadas pelo interior dos meus muros. Percorre a minha alma, assim to permito. Mas primeiro, senta-te nesse banco, eu irei buscar alguns livros e álbuns e um bom chocolate quente que nos aqueça os corações e nos permita ver tudo de bom de uma forma melhor. Não vás, peço-te, darei-te essa oportunidade mas quero que a desperdices, por favor, fica aqui comigo, não irei demorar.
Ou então vem comigo. Vem comigo e traremos juntos os livros e álbuns que tanto te queria mostrar. Depois, caminharemos juntos em direcção ao pequeno banco de jardim. Deixemos as nossas almas fundirem-se numa só e permitamos aos nossos corações sentir algo de bom novamente. Sê meu e eu serei tua.
.jpg)
.jpg)
