Anoiteceu. Os sentimentos desordenaram-se, tal como tipicamente acontece. Tudo em mim é incerteza, e tudo o que queria era saber que mágoa é esta, que chega sem motivo, que parte e regressa. E quando regressa, dilacera o meu peito e todo o meu pensamento é nevoeiro, é algo de incerto, algo para o qual não encontro explicações. Talvez não seja nada. Talvez seja tudo. Penso que seja isso mesmo, tudo. Penso que seja o reflexo dos erros que cometi, das desilusões que sofri, de todas as pessoas que saíram da minha vida sem para tal apresentarem uma justificação. E ainda hoje espero pelos seus regressos.
Queria apenas que voltasse tudo ao normal. Queria possuir a ingenuidade e a inconsciência de à apenas alguns anos. Queria conseguir acreditar novamente. Acreditar que amanhã seria um dia melhor. Acreditar que haveria algo como uma solução milagrosa para esta junção de problemas. Como poderei esquecer o arrependimento de algo irremediável? Queria apagar o impacto que as acções dos outros tiveram em mim, que ainda hoje me causam demasiado transtorno. Queria não sentir saudades. Queria ter a capacidade de pôr tudo de parte e concentrar-me em mim, ou concentrar-me em algo que me fizesse bem, que me proporcionasse, menos que seja, alguns picos de felicidade, ou um sorriso ou outro. Queria tranquilidade, queria paz, queria ser confiante. Mas não seria eu, correcto? Afinal, sempre fui insegura, indecisa. Cometo erros tão básicos, sem saber o quão me vão prejudicar. Tento ser cuidadosa, mas acabo por ser sempre desastrada. Passo por situações embaraçosas com demasiada frequência. Sou constantemente criticada. As pessoas tendem a pôr-me de parte, a excluir-me das suas vidas sem um motivo. Também tendem a não me darem uma oportunidade de me dar a conhecer, apenas apressam-se a fazer julgamentos precipitados que não correspondem à verdade. Tendo, então, a isolar-me. E quero isolar-me. Mas se me isolo, sinto-me ainda mais sozinha. E tenho-me sentido tão sozinha ultimamente. Demasiado. Muitas pessoas já saíram da minha vida, mas não tantas em simultâneo. E assim, resto eu. Um poço de insegurança, que vive de memórias, que recorda permanentemente os seus erros, que se culpabiliza por tudo o que acontece de errado, que tende a afastar pessoas devido à sua rejeição ao máximo de mais sofrimento. Mas não será a solidão o maior sofrimento de todos?
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