Algo que não chegou a ser.. É disso que sinto saudades. Porque sinto-te tão perto, estando tu tão longe. Os nossos corpos nunca se tocaram, mas conheço o brilho dos teus olhos e do teu sorriso. O que tu és está tão para além da tua aparência irrepreensível e sublime. Se estou certa de algo, é de que a essa aparência irrepreensível corresponde uma personalidade irrepreensível também. E sei que nunca te poderei julgar, seja porque motivo for. Não te posso julgar porque somos idênticos, duas almas semelhantes, portanto. E se hoje nos tornamos nisto, a responsabilidade não pode ser atribuída apenas a ti. Não te censuro por não teres lutado por nós quando eu não fui totalmente honesta contigo. Tu deverias saber também do meu passado, não apenas eu do teu. Deverias saber de quem ainda me afectava, de uma forma ou de outra, tal como eu sabia de ti. Soube pouco de ti, mas o que sabia, era suficiente para te conhecer minimamente. Lembro-me do gosto musical semelhante, por exemplo. Mas sobre nós há muito mais a dizer.
Não sei como tanta saudade cabe mais no meu frágil coração. Memórias, memórias é quase tudo o que resta do que outrora fomos. Sinto uma nostalgia enorme do quão segura me sentia contigo. Do quão feliz ficava só de te ver através do computador. Do quão um desabafo contigo aliviava-me. Sinto saudades de tudo isso, de todas as pequenas coisas que vivemos juntos. Sinto saudades até da ânsia de estar (finalmente) contigo. Sinto também culpa. Sinto-me culpada até por a forma como me trataste, mesmo depois de teres explicado o porquê de o teres feito e mesmo depois de teres afirmado que o porquê não estava relacionado comigo. Aquela típica história do "não és tu, sou eu". Mas nem mesmo assim te julgo.
Só queria, neste momento, não ser a única a lutar por nós. Queria reconhecer algum esforço da tua parte e simplesmente não consigo. E sei que não consigo sozinha trazer de volta tudo aquilo do qual sinto tanta falta. É que sinto tanto a tua presença aqui. Sinto-te aqui, comigo. E isso torna-se uma mágoa porque gostaria de apenas fosses logo, ou permanecesses aqui concretamente. Mas a verdade é que, apesar de te sentir perto, tu não estás aqui. Tu não tens estado presente. Não te tens preocupado comigo, como fazias antes. Agora sou só eu a lutar por nós, a insistir, a tentar saber como estás. E sabes? Tenho insistido muito. E não te vejo minimamente a retribuir isso. E isso cansa. Eu canso-me de insistir. Começo a questionar-me se valerá a pena. Se valerá a pena lutar por algo que se perdeu. E não consigo mesmo encontrar uma resposta para isso. Mas sinto demasiadas saudades. E pelo que tivemos, acho que vale a pena. Porque não desisto de ti, nem quando as coisas estão complicadas, como agora. Nunca terei coragem de to dizer, mas de ti não desisto. Queria que o soubesses, mas não conseguiria dizer-to. Sou demasiado insegura e frágil. Mas se um dia leres isto, sabe que te adoro e que isso não irá mudar. Apenas isso.
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